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Oi gentes! <3 Tudo bem com vocês?

Ontem a noite adormeci pensando qual seria o meu primeiro post aqui. Eu gosto de falar… vocês vão perceber isso rsrs Então tenho tanto a dizer que às vezes as palavras se perdem num emaranhado de ideias, pensamentos, suposições… sei lá. Uma coisa sem fim. O projeto #Esclerousada nasceu a partir dessa inquietude. Dessa vontade de dizer, não sei o que, não sei pra quem.

Eu acredito piamente que o meu diagnóstico da Esclerose Múltipla tenha tudo a ver com meu emocional. Eu sempre escondi tudo, de todo mundo. Certamente eu tenho um submundo dentro de mim, onde moram diversos sentimentos, que ficaram ali entalados, por anos e anos. A família me chamava de “rocha”. “Essa menina é demais, aguenta tudo! Não chora por nada!!!”. Diziam isso como se fosse algo bom… como se eu fosse indestrutível, tipo uma mulher maravilha. Mal sabiam o mal que eu estava fazendo a mim mesma.

Bom, vamos então começar pelo começo, porque é lá que o novo EU nasceu. A nova Barbara, agora tinha uma doença, pouco conhecida e que assustava um bocado.

Eu dormi bem e acordei com o braço direito dormente. Lembro de ter esticado a mão e encostado no armário: achei que tivesse dormido sobre o braço e por isso estava assim. Os dias foram passando… eu reclamava e sempre ouvia: “já senti isso, vai passar”. Junto com os dias, foi-se a sensibilidade e a força da mão direta. A sensação, ou falta dela, se estendia até o cotovelo. Já havia visitado alguns ortopedistas e eles diziam ser estresse ou uma síndrome por esforço, onde o nervo do punho ficava pressionado. Estava aguardando um especialista em mãos. Consulta marcada, ânimos a flor da pele, fui caminhar e após a primeira volta na via… ops! Abaixei para amarrar os sapatos e senti um choque na posterior da perna. Só conseguia imaginar que minha perna agora tinha uma corda de violão amarrada na parte de trás, pois a sensação era idêntica.

Novo ortopedista. Esse, mais criterioso, me examinou e sentou à sua mesa. Me olhou de um jeito diferente. Ali eu entendi. Tinha algo a mais. Ele me encaminhou a um neurologista já com um pedido de ressonância.

Eu, pra variar, demorei a fazer o exame e no dia que criei coragem, recebi uma ligação da clínica: “Barbara, você precisa retornar e fazer o exame novamente. A médica viu algo e precisa confirmar com aplicação de contraste.” BUM, meu mundo caiu.

Resultado em mãos, estava lá: doença desmielinizante, caracterizada por captação de contraste, em atividade inflamatória. Entre parênteses, as letras EM. Fui ao dr. Google, CLARO.

Lembram que eu não havia ido a neurologistas ainda? Então… munida do resultado, entrei no carro e fui no primeiro que tinha vaga. Péssima ideia. O cara me deu o diagnóstico da pior maneira: “Você tem Esclerose Múltipla. Está em surto. Tome aqui um pedido de internação de 5 dias. Até logo.”

Eu chorei, chorei e chorei. Fui em outro neuro, que mais atencioso me explicou um pouco sobre a doença. Disse que não era sua especialidade e me indicou outro. Me passou outra ressonância, para complementar a primeira, e muito carinhosamente, tentou me acalmar. Era visível nos olhos dele que ele detestou dar aquele “possível diagnóstico” a uma menina de 25 anos.

Consegui contato com o médico indicado, especialista em EM, e ele estava passando por uma fase ruim. Seu pai estava internado, mal… e ele não estava aceitando novos pacientes. Começou a saga.

Por esses dias, eu só chorava… dormia e acordava no meio da noite, em prantos. A internet só me dizia coisas ruins. Eu não via qualquer perspectiva pra mim.

Nessa altura do campeonato, eu já conhecia tudo de ruim da EM. Tratamentos, efeitos colaterais, histórias tristes… TUDO. Contei com ajuda do meu sogro, que por ser médico, conseguiu contato com a equipe do neuro e um de seus residentes se prontificou a me atender. Fui internada no mesmo dia. Diagnóstico confirmado, tratamento: Pulsoterapia de 5 dias, e uma nova vida, uma nova Barbara nascia ali.

Olha, mas eu disse que seria engraçada e venho com essa história pra vocês rsrs Mas tinha que começar de algum lugar e melhor que fosse do começo, certo?

Por aqui vocês não verão tristeza. Dias ruins existem para todos. E passam! Pode ser sim que eu conte experiências ruins. Mas elas passaram ou passarão. Vamos nos apegar a isso e viver o hoje. Por isso a foto, o sorriso do início do post. O que fica são esses momentos. Tudo sempre passa!

Eu passei por dias bem difíceis devido ao diagnóstico, mas eu tinha duas opções: não aceitar ou aceitar.

Nasci para quebrar regras, paradigmas, padrões. Deus foi certeiro! A EM não me vencerá! A EM não NOS vencerá! Quem tá comigo? 😀

Precisamos começar do início.
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5 comentários sobre “Precisamos começar do início.

  • 6 de julho de 2017 em 01:23
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    Tão bom ler seus relatos! Já disse que faltam palavras e sobram sentimentos. Mesmo que virtualmente, me sinto mais próxima dessa nova Bárbara e preciso dizer que o que me aproxima dela não é compaixão e sim a FORÇA que ela transmite.
    #aemnãotevencerá #estoucomvc

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  • 6 de julho de 2017 em 01:27
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    Bárbara!! Muito legal a forma como você está lhe dando com a EM!! Acabei de ler o seu texto e agradeço por compartilhar com a gente sua história, tenho certeza que ajudarão muitos! Você é iluminada por Deus! Beijos Lígia

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  • 6 de julho de 2017 em 10:06
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    Parabéns pela iniciativa Barbara! Acho que muitas pessoas que estao passando por similares problemas podem ser influenciadas e até se espelharem positivamente em você! Gostei muito de uma coisa que disse sobre a aceitação do diagnóstico. Imagino que deva ser um choque no início dado o desconhecimento da doença e de seus sintomas e consequências, mas você decidiu por bem enfrentar a doença e ser feliz como sempre foi. Essa sua força de vontade, garra e compromisso que você assume agora com esses posts farão a diferença na vida de outras pessoas! Muita Força, alegria, determinação, sucesso e o mais importante, continue sempre sendo essa Barbara que eu conheci durante meua 5 anos de formação profissional! Que Deus te abençoe muito e parabens novamente pela iniciativa!

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