O que é disfagia? É o termo utilizado na área da saúde que caracteriza a dificuldade de deglutir (engolir), quando não há dor, pois quando esta também está presente o termo correto é odinofagia. É comum nos pacientes de doenças neurológicas. Os sintomas associados são: babar, engasgar ou tossir, durante ou após as refeições.
A disfagia no meu caso se manifestou antes do diagnóstico, mas eu não percebia, comecei a engasgar muito tomando água e chimarrão, depois é que fui associar uma coisa a outra. Como paciente vou confessar que é um pouco chato, mas como nutricionista estou sempre pondo meus conhecimentos teóricos em prática.

Algumas orientações para amenizar a disfagia:
1) Observar o posicionamento adequado para se alimentar, quando acamado, deve-se manter sentado no leito durante a refeição (via oral);
2) Concentração é muito importante, manter-se calmo e focado nos processos mastigatórios, deglutir com calma, isso reduz a chance de engasgar;
3) Procure alimentar-se em ambientes agradáveis;
4) Não conversar muito durante às refeições, ao menos quando estiver com alimentos na cavidade oral, conversar nas pausas entre as garfadas, sei que essa é difícil ;
5) Líquidos e sólidos juntos na cavidade oral não combinam, o risco de engasgar é alto;
6) Bebidas com gás em alguns casos também aumentam o desconforto e causam dificuldade em engolir;
7) Muito cuidado com temperos fortes, podem provocar tosse;
8) Na disfagia leve, a alimentação é livre (dieta normal), apenas seguindo as orientações de modificação comportamental;
9) Casos moderados de disfagia são corrigidos com a alteração na consistência da dieta, que deverá ser pastosa;
10) Não é porquê a dieta é pastosa que não precisa ter boa aparência, as refeições devem ser atraentes e saborosas;
11) Caso a disfagia seja mais grave, deverá ser avaliada pela equipe que o acompanha, se é necessária a substituição da via oral pela alimentação enteral;
12) Caso haja aspiração (pelos pulmões) frequente de líquidos, o que aumenta o risco de pneumonia, estes deverão ser espessados (engrossados), algumas opções são o leite em pó, amido de milho, suplementos e espessantes industrializados (próprio para este fim), as frutas também contribuem como ótimas fontes de água livre.

Estas são orientações gerais, cada caso deverá ser avaliado pela equipe de saúde responsável.

Espero ter ajudado! Até o próximo post!

Beijo,
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Thaís Bonotto
Nutricionista

ESCLEROSE MÚLTIPLA x DISFAGIA – PARTE I

3 comentários sobre “ESCLEROSE MÚLTIPLA x DISFAGIA – PARTE I

  • 2 de outubro de 2015 em 01:43
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    Excelente post Thaís, parabéns!!!
    Com essas informações pude entender como o engasgo é uma “pedra no sapato” de quem possui EM. Tal situação me deixava um tanto incomodado quando acontecia com minha namorada que tem EM, no entanto, a partir de agora, praticarei a empatia de forma verdadeira e serei mais compassivo.
    Ah! Obrigado por esclarecer que o tratamento da disfagia é de responsabilidade do profissional de Nutrição, por ser leigo na área de saúde acreditava que era de responsabilidade dos médicos.

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    • 2 de outubro de 2015 em 02:38
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      Obrigada Diego! Fico muito feliz em ter ajudado. O profissional nutricionista também é habilitado a orientar sobre os sintomas da disfagia, o que não excluí a responsabilidade médica, ambos profissionais podem e devem sempre trabalhar em equipe multidisciplinar para o melhor acompanhamento e tratamento de seus pacientes. Abraço e continue acompanhando.

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